Jornadas de Cannabis Medicinal
Decorreu no passado sábado, 22 de novembro, a 1.ª sessão temática das Jornadas de Cannabis Medicinal, no Auditório da Cooperativa Plural, um encontro marcado pela profundidade científica e pela partilha entre profissionais de diferentes áreas. Na sessão de abertura, Lúcia Santos, Presidente da SRCOF, salientou a necessidade de romper a inércia que historicamente tem condicionado o avanço da utilização de cannabis para fins medicinais em Portugal, sublinhando que só juntando médicos, farmacêuticos, investigadores, reguladores e doentes será possível construir um quadro mais claro, acessível e responsável neste domínio. Ao seu lado, Henrique Santos, coordenador das Jornadas, reforçou a pertinência desta discussão, e Miguel Silvestre, Presidente da Cooperativa Plural, destacou a importância de acolher iniciativas que promovam conhecimento técnico e o debate público informado, sublinhando a permanente disponibilidade em acolher iniciativas que visem a valorização do farmacêutico.
A manhã prosseguiu com a conferência inaugural “Do Sistema Endocanabinóide aos Canabinóides”, brilhantemente proferida por Helena Teixeira (INMLCF) e moderada por Isabel Vitória Figueiredo (FFUC), que ofereceu uma visão sólida sobre a base fisiológica e científica que sustenta a utilização medicinal da planta. Seguiu-se o primeiro painel, dedicado aos produtos à base de cannabis, no qual Ana Cabral (FFUC) moderou as intervenções de João Bernardo (farmacêutico) e Inês Martins (farmacêutica militar), centradas na classificação botânica, nas quimiovariedades, nas formas farmacêuticas e na manipulação magistral. No painel seguinte, dedicado ao processo de uso da cannabis medicinal, Paula Iglésias (farmacêutica) conduziu as apresentações dos farmacêuticos Ângela Rodrigues e Henrique Santos, que abordaram a prescrição, a dispensa, as ações terapêuticas e as modalidades de administração.
A parte da tarde iniciou-se com uma mesa-redonda particularmente rica, moderada por Margarita Cardoso de Meneses (jornalista), onde se cruzaram a visão do médico, apresentada por Pedro da Mata; a visão farmacêutica, trazida por Henrique Santos e a perspetiva das famílias e da sociedade civil, pela voz de Paula Mota, Presidente da Associação “Mães pela Canábis, contribuindo para uma análise abrangente sobre barreiras e facilitadores no processo de uso dos produtos à base de cannabis. Seguiu-se o painel dedicado à situação europeia, moderado por José Daniel Vilhena (SRCOF), no qual Ayesha (FFUL) apresentou um estudo comparativo sobre a realidade europeia, lançando pistas importantes para o futuro de Portugal nesta matéria.
O encerramento esteve a cargo de Lúcia Santos e Henrique Santos, que sintetizaram as conclusões dos painéis, reforçando o espírito que presidiu a todo o dia: o compromisso com um debate rigoroso, aberto e útil para quem mais importa: os doentes.
O balanço desta primeira sessão não podia ser mais positivo. A qualidade das intervenções, a diversidade dos contributos e a clareza das discussões deixaram evidente que o país está preparado para aprofundar esta temática com seriedade.
Estão assim lançadas as bases para a 2.ª sessão temática destas Jornadas, a realizar-se no dia 10 de janeiro de 2026, com foco na vertente “Do cultivo ao medicamento: a manipulação e as formas farmacêuticas da cannabis medicinal”. O programa será divulgado em breve.